segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Choro do bebê





Seja quando os bebés comunicam ou quando os maiores fazem birra, é preciso tentar encará-lo com calma. Afinal, ninguém cresce sem lágrimas. O difícil é escolher o caminho correto quando o assunto é lidar com as lágrimas de uma criança. 
Algumas pesquisas mostram que a resposta dos pais ao choro dos bebés nos três primeiros meses é crucial para o desenvolvimento emocional e neurológico. A resposta rápida ao bebé não vai fazê-lo ficar mimado nem impaciente. O que deixa uma criança mimada e birrenta é a ansiedade dos pais ou detalhes importantes como a falta de firmeza ao pegá-la no colo. Se a embalarem com segurança, e corresponderem à sua necessidade de forma tranquila, ela sentir-se-á amparada e poderá chorar menos. 

A função das lágrimas 

É preciso lembrar que o choro é fundamental para a vida e que as lágrimas têm mais funções do que podemos imaginar. Quando elas escorrem pela face é porque há um excesso na quantidade produzida. Esse lacrimejamento abundante pode ser causado por vários motivos: seja por uma razão física (como a dor), seja por razões emocionais (tristeza, medo). 
Os bebés até aos 2 meses, mais ou menos, choram sem lágrimas. Isto porque eles ainda não precisam umidificar os olhos. Na sala de parto, por exemplo, o choro é seco e tem função fisiológica. No útero da mãe, o feto é oxigenado pela placenta. Ao nascer, o choro serve para abrir os seus pulmões e permitir a passagem do ar. É graças ao choro que o bebé consegue comunicar nos primeiros tempos de vida. É também por meio das lágrimas que, já maiores, desabafamos e expressamos os nossos sentimentos, mesmo em situações de alegria. 

Causas do choro nos bebés
 
- fome 
- cólicas 
- calor ou frio 
- sono 
- fralda suja 
- tédio ou necessidade de contacto 
- dor 
- desconforto 
- excesso de estímulo 
- susto ou medo 

O meu filho chora demais!
 

A maioria dos especialistas entendem como chorona uma criança que passa mais de três horas por dia aos prantos, mas não existe um consenso. Se a criança estiver com todas as necessidades atendidas e continuar a chorar é bom consultar um pediatra. 

Quando o choro se transforma em birra 

A partir dos 9 meses, a criança percebe que, ao chorar, consegue algumas coisas. Pode assim passar a usar o choro para conseguir outras coisas que deseja, tentando manipular os pais. Se os pais acham que aquilo que a criança pede é desnecessário, não devem dar só porque ela chorou. Se ela chorar e os pais cederem, vão confirmar que ela consegue o que quer pela birra. As lágrimas deixam de ser inocentes… 
Depois do primeiro aniversário, a tendência é que a criança troque as lágrimas por palavras. Ainda assim, o choro é frequente e as causas, variadas. Chorar faz parte do crescimento emocional. As causas da maioria dos choros deixam de ser fisiológicas e passam a ser psicológicas. 
Apesar de estar a aprender a falar, a criança só consegue expressar os seus sentimentos com lágrimas. Isso ocorre porque ela ainda não tem maturidade emocional e o seu aparelho cognitivo ainda não está suficientemente desenvolvido para permitir uma expressão verbal das emoções. Portanto, a criança lida com a raiva, as angústias e as frustrações, chorando. Com o tempo, ganhará maior autonomia e entenderá melhor os limites que os pais lhe colocam. 

As três regras-chave
 
1. Incentive a criança a falar dos sentimentos. Verbalizando as suas próprias experiências e pergunte-lhe como se sentiu perante momentos diversos. 
2. Não desvalorize o choro da criança. É importante que ela saiba que você entende os motivos, ainda que não concorde. 
3. Estimule os comportamentos que gosta, ignorando os que não aprova.


Lagrimas em excesso 


Uma das alterações oculares mais freqüentes observadas em crianças com menos de um ano de idade é a Obstrução Congênita da Vias Lacrimais (OCVL). "A causa mais comum de lacrimejamento do recém-nascido é a obstrução do canal lacrimal", informa o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

"A principal causa de obstrução do canal lacrimal é a presença de uma membrana na região da válvula de Hasner, no local de abertura do ducto nasolacrimal, na cavidade nasal.

O diagnóstico de obstrução do ducto nasolacrimal é feito quando o oftalmologista encontra a combinação de lacrimejamento, presença de secreção muco purulenta, aspecto de 'olho melado' e dermatite na pálpebra inferior, sem sinais inflamatórios. "Além das alterações causadas pelo lacrimejamento é comum que a criança apresente com maior freqüência episódios de conjuntivite bacteriana. O excesso de umidade nos olhos favorece o desenvolvimento de bactérias que causam a conjuntivite", diz Maria Carrari.




Tratamento

Na grande maioria dos casos, a OCVL desaparece antes do primeiro ano de vida da criança. "Recomendamos a realização de massagens, compressas com água morna, limpeza dos olhos com soro fisiológico ou colírios de lágrima artificial", afirma Maria Carrari. As massagens no saco lacrimal e no trajeto do ducto nasolacrimal são a opção de tratamento mais efetiva.

A oftalmologista explica que, inicialmente, realiza a massagem no consultório e orienta os pais como devem proceder para realizá-las em casa. "Nos casos em que há conjuntivite bacteriana associada à obstrução do ducto nasolacrimal, o uso de colírios também é indicado pelo oftalmologista", informa a especialista.

Quando as massagens e o tempo não resolvem o problema, surge a necessidade de desobstrução do ducto nasolacrimal através de um procedimento cirúrgico chamado sondagem, realizada pelo oftalmologista.
"Normalmente, não realizamos este tipo de procedimento, a cateterização, antes dos nove meses de idade", informa a oftalmologista. Para a realização desta cirurgia, a criança deve estar sob sedação (anestesia geral inalatória), portanto ela é realizada no hospital, porém de forma ambulatorial, ou seja, a criança entra e sai do hospital no mesmo dia.
 


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